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Shopee amplia carteira de crédito para R$ 8,4 bi e leva disputa do e-commerce para nova frente

Carteira cresce 183,5% em um ano; BTG vê avanço da empresa, de marketplace, logística e preço a ecossistema.

Shopee amplia carteira de crédito para R$ 8,4 bi e leva disputa do e-commerce para nova frente
Imagem/Reprodução

A Shopee acelerou sua atuação em crédito no Brasil. Com isso, a competição do e-commerce ganha nova frente: crédito sem dependência externa. A carteira consolidada dos dois FIDCs da companhia chegou a cerca de R$ 8,4 bilhões em setembro, alta de 183,5% em relação ao mesmo período do ano passado e de 5% na comparação mensal, segundo relatório do BTG Pactual.

Para os analistas, o ritmo de expansão mostra que a empresa está usando o crédito como parte de uma estratégia mais ampla de ecossistema no País, avançando além da competição tradicional em marketplace. O movimento envolve também funding, serviços financeiros e novas formas de monetização de usuários e vendedores.

O principal veículo por trás dessa expansão é o MAREE FIDC I. Embora o fundo exista desde aproximadamente 2022, ele passou a ganhar escala de forma mais agressiva a partir de 2025. A carteira com prazo inferior a 360 dias saiu de R$ 1,5 bilhão em janeiro do ano passado para R$ 7,8 bilhões atualmente. A criação de um segundo FIDC no segundo semestre de 2025, segundo o BTG, amplia a flexibilidade de funding da Shopee e pode indicar preparação para uma expansão ainda maior do crédito.

A leitura do banco é que a concorrência no comércio eletrônico brasileiro deixou de se concentrar apenas em crescimento de GMV, subsídios de frete, comissões e logística. O crédito passa a funcionar como uma nova camada estratégica da disputa entre as grandes plataformas.

Com uma carteira já relevante em termos absolutos, a Shopee pode usar essa estrutura para financiar capital de giro de sellers, ampliar opções de financiamento ao consumidor, aumentar conversão e estimular compras recorrentes. Ao mesmo tempo, os dados gerados dentro do marketplace podem ajudar a companhia a aprimorar a análise de risco dos clientes.

“O recado estratégico é claro: a Shopee parece estar construindo um ecossistema mais amplo de comércio e crédito no Brasil”, afirmam os analistas.

O avanço acelerado da carteira também traz riscos. O BTG chama atenção para o fato de que os dois FIDCs ainda são relativamente jovens, o que torna os indicadores atuais de inadimplência menos conclusivos. Em carteiras que crescem muito rapidamente, parte dos empréstimos ainda não teve tempo suficiente para migrar para faixas mais longas de atraso, o que pode fazer com que a qualidade aparente inicialmente melhor do que será depois de uma maturação maior.

Os atrasos entre 1 e 90 dias chegaram a 8,1% da carteira em setembro, aumento de 0,99 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,42 ponto na comparação anual. Para o banco, a evolução desse indicador merece acompanhamento à medida que a carteira amadurece.

O relatório também compara a operação com o Mercado Livre, cuja carteira via FIDCs é mais madura. Em agosto, o portfólio do Mercado Livre somava R$ 8 bilhões, com crescimento de 5% no mês e de 16% em um ano. Os atrasos de 1 a 90 dias estavam em 7,4%, enquanto os atrasos acima de 90 dias alcançavam 7,3%.

Para o BTG, o movimento reforça uma transformação mais ampla do e-commerce brasileiro, em que as plataformas passam a disputar não apenas preço, sortimento e logística, mas também relacionamento financeiro.

 

🗒️ Pesquisa, Redação e Edição: Carlos Martins

✍️ Por Bruna Lencioni | Mercado & Consumo

🌐 Acesse: wwww.passarefm.com.br

📸 Imagem/Reprodução

 

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