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Cresce Ceará: sem boa logística de transporte, não adiantará a ferrovia

Publicada em: 22/05/2026 14:25 -

Empresário lamenta a precária situação da BR-116 e do IV Anel Viário, que causa prejuízo ao agro e à economia cearenses.

Há problemas graves na logística de transporte do Ceará e de sua Região Metropolitana de Fortaleza, e este foi apenas um dos vários gargalos revelados durante toda a manhã de ontem na terceira edição do “Cresce, Ceará”, evento criado pelo Diário do Nordeste, com o apoio do BNB, e destinado a debater os obstáculos que dificultam o crescimento dos diferentes ramos da economia cearense e cuja edição deste ano foi realizada no auditório do Gran Hotel Marero.  

Quem levantou a questão foi o empresário Edson Brok, dono de uma empresa de logística e produtor e exportador de banana do Ceará para a Europa. Na sua opinião, “não adiantará ter pronta e em operação a Ferrovia Transnordestina e não adiantará mais uma expansão do Porto do Pecém, se persistirem os atuais pontos de estrangulamento do IV Anel Viário de Fortaleza e a buraqueira do principal eixo rodoviário do estado, a BR-116”. 

Brok falou no segundo painel do “Cresce Ceará”, que, moderado por este colunista, tratou dos desafios do agro cearense diante das carências da logística de transporte, as quais alcançam, também, o setor portuário. Ele citou o Porto do Mucuripe, onde o terminal de contêineres é operado por uma companhia de navegação, cujos interesses conflitam com os das empresas exportadoras, importadoras e transportadoras.  

“Às vezes, meus caminhões ficam até 24 horas aguardando a vez de entrar ou de sair do Mucuripe, e tudo por falta de planejamento”, lamentou ele.

Quem abriu o painel foi o diretor comercial da Transnordestina Logística, Alex Trevisan, que despejou uma série de boas notícias, a melhor das quais foi esta: em dezembro do próximo ano de 2027, a Ferrovia Transnordestina, sonho antigo de quem trabalha e produz no Ceará, estará concluída e em operação.  

E adiantou que essa estrada de ferro está pronta e com licença de operação comercial desde o Sul do Piauí até Acopiara. A primeira nota fiscal da Transnordestina foi emitida em dezembro do ano passado em nome da Tijuca Alimentos. Os trabalhos avançam agora na direção de Quixeramobim, trecho cuja infraestrutura foi concluída e onde se executam, neste momento, os serviços de instalação dos dormentes, brita e trilhos. 

“No segundo semestre deste ano, a Transnordestina chegará a Quixadá”, disse ele sob aplausos. A construtora cearense Marquise Infraestrutura, uma das empresas do Grupo Marquise, executa 80% das obras dessa ferrovia. 

Depois de Trevisan, falou Edson Brok, empresário paulista que há 30 anos está no Ceará, onde primeiro dirigiu a Delmonte, multinacional da fruticultura e, depois, montou seu próprio negócio: produz e exporta banana nanica do Ceará para a Europa, principalmente para o Reino Unido.  

Ele revelou que há uma semana percorreu, “indo e voltando”, os 600 Km que ligam Fortaleza a Juazeiro do Norte. E se declarou triste com as precárias condições da BR-116, a espinha dorsal da logística de transporte do Ceará: “É uma buraqueira só, e o pior é quando ela chega em Fortaleza, na sua junção com o IV Anel Viário, onde um viaduto singelo afunila o tráfego, criando um gigantesco congestionamento que atormenta, atrasa e causa prejuízo não só ao agro, mas a toda a economia cearense”, disse ele. 

Depois, falou o engenheiro e empresário João Teixeira, que produz banana no Perímetro Irrigado de Tabuleiros de Russas. Nasceu de sua cabeça ainda no primeiro governo de CId Gomes, a ideia do Arco Metropolitano, projeto rodoviário que prevê a construção de uma estrada de pista dupla ligando a BR-116, em Pacajus, ao Porto do Pecém, numa extensão de 100 Km, cortando vários municípios e cruzando, por viadutos, estradas federais e estaduais.  

“O projeto executivo do Arco Metropolitano já está pronto para licitação e seu custo, incluindo desapropriações, é de R$ 1,5 bilhão, dinheiro que pode ser obtido por meio de emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União”, disse João Teixeira.

Ele acrescentando que essa rodovia cruzará, por meio de viadutos, estradas federais e estaduais, desviando do IV Anel Viário todo o tráfego pesado que vai ou vem do Porto do Pecém e das BRs 020 e 222. Além disso, o Arco Metropolitano complementará a logística da Transnordestina por meio os terminais de carga, um dos quais será construído em Maranguape para atender às empresas do Distrito Industrial de Maracanaú.”

O último a falar foi Allisson Martins, executivo do Banco do Nordeste. Ele assegurou que as linhas de crédito do BNB estão disponíveis para financiar, também, grandes empreendimentos de infraestrutura, inclusive os que dizem respeito à Ferrovia Transnordestina e ao Arco Metropolitano, como os projetos de construção dos terminais de carga.

 

🗒️ Pesquisa, Redação e Edição: Carlos Martins

✍️ Por Egídio Serpa | Diário do Nordeste

🌐 Acesse: wwww.passarefm.com.br

📸 Imagem/Thiago Gadelha/SVM

 

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