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Supermercado que permite trocar trabalho por descontos chega a São Paulo

Publicada em: 01/12/2025 10:49 -

Pelo modelo, cada cooperado contribui com apenas 3 horas de trabalho por mês.

Já imaginou trocar serviços básicos, como ajudar na manutenção e limpeza do espaço, por descontos em produtos no supermercado? Com o conceito de supermercado participativo, a Gomo Coop chega a São Paulo nos próximos meses.

Pelo modelo, cada cooperado contribui com apenas 3 horas de trabalho por mês, em funções que incluem operar o caixa, organizar o estoque, limpar o ambiente e outras atividades do dia a dia da operação.

A ideia já faz sucesso em outros países e foi inspirada na Park Slope Food Coop, criada em 1973 em Nova York, nos Estados Unidos.

Localizada no centro de São Paulo, a primeira operação será aberta ao público na primeira quinzena de janeiro e permanecerá nesse formato por pelo menos seis meses, com o objetivo de apresentar o modelo participativo aos consumidores.

A Mercado&Consumo conversou com a Gomo Coop, responsável por trazer o conceito de supermercado participativo ao País, para conhecer melhor a operação. De acordo com Karina Nishioka, coordenadora do Círculo de Relações da cooperativa, a estratégia de manter o espaço aberto ao público geral por um período visa atrair novos cooperantes para a iniciativa.

“Todas as cooperativas internacionais são fechadas, onde só os membros podem comprar. Entendemos que mantê-la aberta por um período era estratégico para tentar aproximar as pessoas, para que elas topassem experimentar fazer uma compra ali. A saída que encontramos foi deixar, no mínimo, um semestre aberto a todas as pessoas”, explica.

A proposta da Gomo Coop inclui democratizar o acesso a produtos agroecológicos. Esse, inclusive, foi um dos desafios prévios para a implementação do modelo de negócio no País.

“A gente entende que pode haver uma restrição a respeito desse tipo de consumo, de produtos agroecológicos, de extrativismo sustentável, de povos originários e da reforma agrária. Essa variedade toda de produtos tem muito valor agregado, e sabemos que nem todas as pessoas têm acesso a eles”, destaca.

Membros da Gomo Coop

Um conceito diferente

Por se tratar de um conceito ainda novo no Brasil, muitos consumidores confundem a proposta apresentada pela Gomo Coop. Segundo Karina, vários comentários nas redes sociais sugerem que a iniciativa se resume à troca de produtos por trabalho. “É uma relação de compra e venda, em que a gente quer que você faça parte e atue também do lado de dentro”, ressalta.

Hoje, a cooperativa conta com quatro funcionários contratados e, segundo Leticia Zero, representante do Círculo de Relações da Gomo Coop, a proposta participativa reduz significativamente os custos com folha de pagamento.

“Em vez de eu ter uma equipe fazendo a faxina, uma de estoquistas, enfim, equipes fazendo coisas que precisam para o supermercado existir, temos as pessoas cooperantes, que vão fazer isso em turnos de três horas por mês”, acrescenta.

Esse modelo se reflete nos preços dos produtos. Leticia explica que, com a folha de pagamento reduzida, a cooperativa consegue manter preços menores aos praticados pelos supermercados tradicionais.

“Estamos falando de uma comunidade. Todo mundo trabalha junto para manter esse bem comum, que é esse supermercado, e acessar, em conjunto, produtos mais baratos”, enfatiza.

Em outros países

Atualmente, a Park Slope Food Coop, que serviu como modelo para a Gomo Coop, opera nos Estados Unidos, com mais de 16.500 membros, que participam tanto como clientes quanto como trabalhadores da cooperativa, dedicando 2,75 horas de serviço a cada seis semanas.

Na França, o La Louve adota o mesmo modelo em Paris, onde mantém um supermercado de 1.450 m² inaugurado em 2017. Para ter acesso às compras, os mais de 5 mil membros registrados até 2024 precisam cumprir três horas de trabalho a cada quatro semanas, desempenhando funções como operar o caixa, organizar produtos, receber entregas, limpar e realizar tarefas administrativas.

Em Bruxelas, na Bélgica, a Bees Coop opera em um espaço de 600 m² e reúne cerca de 3 mil membros, oferecendo produtos com preços mais baixos. Em troca, cada cooperante cumpre três horas de trabalho por mês, assumindo a maior parte das atividades do supermercado.

Modelos semelhantes também funcionam em países como Portugal, Espanha e Alemanha.

Como fazer parte

Para se tornar associado, o interessado deve preencher um formulário no site da cooperativa e, depois disso, é incluído em um grupo de WhatsApp que concentra as orientações para as etapas seguintes. A reunião de boas-vindas é obrigatória, pois apresenta como funcionam os turnos e esclarece as principais regras da operação.

 

🗒️ Pesquisa, Redação e Edição: Carlos Martins

✍️ Por Felipe Mario  | Mercado & Consumo

🌐 Acesso nosso website: www.passarefm.com.br

📸 Imagem/Reprodução

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