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“Açougue” e “RIP vida”: o que consumidores dizem da Hapvida

Publicada em: 27/11/2025 12:27 -

Além da crise no mercado financeiro, maior empresa da América Latina é alvo de milhares de reclamações.

A crise da Hapvida vai muito além da queda sem fim do valor das ações – e da empresa – na Bolsa. A operadora, responsável por quase 9 milhões de vidas, acumula reclamações e processos judiciais por causa da qualidade do atendimento e de negativas de tratamentos e serviços de saúde.

No site Reclame Aqui, foram 24.503 queixas registradas nos últimos 12 meses. Boa parte devido à recusa de exames e procedimentos médicos.

“É um açougue, um matadouro disfarçado de hospital, só oferece consulta de 15 minutos e exames. Se for algo sério, você morre”, escreveu um consumidor.

Há também muitos relatos de falta de profissionais e de insumos. “Meu pai (um idoso de 73 anos) foi praticamente torturado pela empresa, sendo forçado a esperar duas horas e meia, com a bexiga cheia e com dor. Depois, teve que ficar se deslocando de um lado para o outro por falta do mínimo, sendo que a empresa cobra cerca de R$ 2 mil mensalmente para entregar esse serviço. Aliás, não entregaram serviço nenhum, fomos salvos pelo SUS”, escreveu uma relatou uma clientes de Manaus.

Segundo o Reclame Aqui, a Hapvida demora, mas responde a maioria das queixas. Nos últimos 12 meses, 88,3% das reclamações foram respondidas, o tempo médio foi de oito dias.

Muitos clientes buscam a via judicial, mas, também, sem sucesso. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) chegou a instaurar um inquérito para investigar a Hapvida por não cumprir decisões judiciais.

A estimativa é de que tramite mais de R$ 2 bilhões em ações judiciais civis contra a Hapvida. Em novembro de 2024, a Hapvida tinha R$ 869 milhões em bloqueios judiciais.

Além disso, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma ação contra a Hapvida por negar internações de urgência e direcionar pacientes ao SUS, pedindo uma indenização de R$ 8,6 milhões por danos morais coletivos.

Queda sem fim

Como mostrou a coluna, no último dia 13 de novembro, a Hapvida registrou uma das maiores quedas da Bolsa de Valores. Despencou 43% em um único dia após a empresa apresentar o balanço do último trimestre.

O tombo histórico, no entanto, ocorreu após uma vertiginosa e constante queda dos valores dos papéis da empresa. O gráfico da variação do valor das ações da Hapvida parece o tradicional pesadelo da queda sem fim – com momentos de queda livre e outros de tombo lento após uma série de tropeços.

Transformando em números – ou em dinheiro –, o cenário parece ainda pior: em quatro anos, 0 valor da empresa, considerada a maior de saúde da América Latina, despencou de R$ 110 bilhões (com a fusão com a Notre Dame, em 2021) para R$ 8 bilhões.

A Hapvida estreou na B3 em 2018. Valia R$ 16 bilhões, a ação custava R$ 260. Hoje, custa R$ 17. O tombo mais recente desencadeou uma série de análises sobre a situação da empresa, mas nenhum parece alcançar uma perda tão grande.

Especialistas apontaram o resultado operacional da empresa como motivo da queda. Medido pelo Ebitda, sigla em inglês para “lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização”, ficou em R$ 746,4 milhões, uma queda de 17,6% na mesma base de comparação.

 

🗒️ Pesquisa, Redação e Edição: Carlos Martins

✍️ Por Gabriella Furquim | Portal Metrópoles

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📸 Imagem/Reprodução/Reprodução

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