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PF: Pizzaria intermediou propina de R$ 250 mil por mês para Stefanutto

Publicada em: 14/11/2025 16:32 -

Ex-presidente do INSS foi preso por indícios de corrupção no esquema que roubou bilhões de aposentados e pensionistas.

Empresas de fachada, incluindo uma pizzaria, uma imobiliária e um escritório de advocacia foram identificadas pela Polícia Federal como intermediadoras de propinas mensais de R$ 250 mil para o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, preso nesta quinta-feira (13), na nova fase da Operação Sem Desconto. 

Os investigadores afirmam que a corrupção era diretamente ligada à fraude operada pela Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), por meio de descontos associativos não autorizados nas aposentadorias e pensões.

Stefanutto é identificado com o codinome “italiano”, no relatório da PF que justificou sua prisão. Segundo os investigadores, grande parte das propinas foram pagas entre junho de 2023 e setembro de 2024, no governo do presidente Lula (PT).

“Ficou claro que, em troca de sua influência, Stefanutto recebia propinas recorrentes, utilizando diversas empresas de fachada para ocultar os valores. O valor mensal de sua propina aumentou significativamente para R$ 250 mil após assumir a presidência do INSS. Seus pagamentos provinham diretamente do escoamento da fraude em massa da Conafer”, concluiu a PF.

Nomeado pelo petista para presidir o INSS em julho de 2023, Stefanutto foi afastado e demitido após a primeira fase da Operação Sem Desconto ser deflagrada em abril deste ano de 2025. Mas a PF concluiu que ele teve “papel de facilitador” dos furtos operados com descontos diretamente nos benefícios, antes de presidir a autarquia previdenciária, quando foi procurador do órgão federal.

“Stefanutto agiu de forma decisiva em duas frentes: primeiro, facilitando juridicamente a celebração do ACT [Acordo de Cooperação Técnica] da Conafer em 2017; e, em segundo, blindando o esquema em sua função como presidente do INSS, o que resultou no aumento da propina mensal para R$ 250 mil”, relatou a PF.

Os investigadores ainda concluíram que repasses de propinas à integrantes da cúpula do INSS teriam sido essenciais para manter as fraudes de descontos não autorizados, estimadas em R$ 6,3 bilhões, desde 2019.”Sem o apoio deles, seria impossível continuar com uma fraude de tamanha magnitude, que envolvia mais de 600 mil vítimas e gerava milhares de reclamações judiciais e administrativas”, conclui a Polícia Federal.

Negação e irritação

Ao depor por dez horas à CPMI do INSS, em outubro, Stefanutto reconheceu irregularidades, mas negou seu envolvimento, mesmo assumindo a responsabilidade por escolher um acusado de receber ao menos R$ 6 milhões em propina, Virgílio Antônio de Oliveira Filho, para ser procurador-geral do INSS.

Stefanutto bateu boca com o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ao ser perguntado sobre reportagem que apontava práticas irregulares no INSS e reagir pedindo respeito, alegando que a pergunta seria “desrespeitosa” e não haveria provas investigação. Ontem, Gaspar celebrou sua prisão.

“Durante a minha gestão, provavelmente foram concedidos benefícios fraudulentos. Isso acontece. É do dia a dia, e apurado. […] Nós instituímos a biometria e assinatura eletrônica e assim está nos documentos que assinei. Se depois de hoje, seja no Gov [sistema do governo federal], seja nos bancos, as pessoas estão falsificando a biometria. Isso não é culpa de quem instituiu. Eu não autorizei fraude”, declarou Stefanutto, em 14 de outubro.

 

🗒️ Pesquisa, Redação e Edição: Carlos Martins

✍️ Por Davi Soares | Diário do Poder

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📸 Imagem/Jefferson Rudy/Agência Senado

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